Meu primeiro beijo

Autor: Walcyr Carrasco
Editora: Moderna
Ano de publicação: 2012
Número de páginas: 96

“Como alguém pode ser feliz usando óculos, tendo um nariz grande e chato e uma mãe tão linda? É isso que Clara se pergunta. Ela quer ser uma garota normal, mas sua vida é muito complicada. Clara acha que ninguém vai gostar dela, que ninguém vai querer beijá-la. Em meio a gozações na escola, uma fofoca feita por uma amiga e um plano de fuga que deu errado, ela vai descobrir que as coisas têm sempre a hora certa para acontecer. Inclusive um beijo.”


As meninas que já beijaram comentam na escola da Clara, como que “contando vantagem”... Pessoalmente, nunca entendi o porquê. Kkkk!

“Eu nunca tive a chance de beijar alguém. Por enquanto, treino com meu ursinho. Assim, mais tarde, ninguém vai sair dizendo que sou inexperiente.” p.9

Apesar do título, a parte do beijo fica em segundo plano por grande parte da trajetória. Logo de início, duas frases amorzinho:

“Escrever é bom por isso. A cabeça da gente voa. Uma delícia.” p.8

“Quem tem um livro nunca está sozinho.” p.18

Clara não teve a oportunidade de conhecer seu pai, que morreu quando ela tinha meses de vida. Ele era professor, gostava de ler, tinha publicado um livro... Semelhança? Rs.

“Sinto falta de ter conhecido meu pai. Todo mundo diz que puxei a ele.” p.17

(Creio que a falta paterna é um motivador maior que o beijo em si. Mas continuemos! Rs.)
A mãe dela é linda! Desde a adolescência sempre foi muito cortejada, admirada... Causou suspiros e despedaçou corações. Fosse bad boy mauricinho, melhor amigo tímido, psicopata raptor. – kkk! Sério! Muito bela! Crescendo, foi para a cidade e se tornou modelo. Mas nenhum garoto chamava a atenção dela. Ela não se interessava. O único que captou seu olhar foi o pai da Clara, o Adalberto. Ele foi professor da Nina, quinze anos de diferença, com quem perdeu contato por uns anos. 

Após o sucesso como modelo, em uma campanha, “esbarrou com ele” e não o deixou partir. 

Bom, o fato da mãe dela ser tal beldade até hoje não ajuda a autoestima da menina, que se acha sem graça. Descobrindo miopia+óculos = apelidos na escola.

“A molecada na escola me chama de quatro-olhos, e eu fico louca da vida!” p.18

Quem puxa os apelidos assim que a Clara chega de óculos é o Rosendo, cabelos pretos, gordinho, um ano mais velho (atrasado devido tempo de adaptação, pais mexicanos – ainda fala muito castelhano com o português).

Clara mora com a mãe. A família do pai mora num sítio. Avós, tios, primos... Seu favorito é o tio Álvaro. São amigos. É a figura masculina mais próxima a ela. 

Bom, não contarei tudo ou você não precisará ler, certo?... 

Há um acidente que mexe com a família inteira. No dia do ocorrido, Clara acaba indo para a casa da dona Conchita e do seu Juan, quando acaba por conhecer um pouco o Rosendo fora da escola.

“– Por qué estas llorando?
  – Estou com medo...” p.51

A partir dali muito muda. Tias, tio, mãe, “amiga”, relacionamentos diversos. Boatos queimam como rastilho de pólvora, confusões envolvem polícia... Mas o saldo é positivo: uma falta é sanada e uma experiência tida.

“Quiero te decir una coisa (...) Yo te quiero mucho…” p.92

Fofinho!..
 

→ Algo importante que sempre digo, independente de idade:  
→Não se deve levar por pressões de colegas ou comentários.
Beijar não é apenas encostar lábios e dizer: beijei. É algo pessoal e deve ser importante, uma memória a nos enternecer... Meu primeiro beijo foi aos dezoito, e daí?.. Tímida, sonhadora, romântica... Mas valeu esperar!
Conheço meninas de 13, 14, 15... as quais sequer lembram do primeiro beijo. Assim como conheço gente como eu, que ainda não sentiu a vontade de compartilhar cedo e não se deixou intimidar por colegas.

A experiência será sua. A lembrança, sua. O momento, seu. Não se apresse, deixe que seja especial. 


Um abraço,
Carolina.

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