Uma vez

Autor: Morris Gleitzman
Editora: Paz e Terra
Publicado em: 2017
No. de páginas: 162
(Indicado PNLD 2020)

"Todo mundo merece ter alguma coisa boa na vida pelo menos uma vez."


Felix Salinger é um menino judeu. Ele mora na Polônia. Seus pais tem uma livraria e ele gosta muito de ler e escrever histórias. O ano é 1942... 

Ele foi deixado pelos pais em um orfanato católico na montanha. O menino acredita que apenas para resolver uns problemas e que retornarão para pegá-lo. Três anos e oito meses depois ele ainda está lá, ajuda alguns com suas histórias mas, ao encontrar uma cenoura inteira na sua sopa, algo realmente grande em um tempo em que comida é escassa, acredita ser sinal enviado: seus pais estavam vindo buscar ele. O legume é o seu favorito! Ele sequer a come! Guarda-a... até ver a necessidade de a passar adiante. 

Aguarda... Soldados nazistas aparecem no orfanato e enquanto um fala com a madre Minka os outros colocam fogo nos livros... Felix se preocupa com os livros dos pais dele. Eles precisam da sua ajuda! E então, decide fugir do orfanato para ir até os seus pais.

A jornada começa. Inicialmente ele acredita que os soldados não gostam de livros... O Felix é inocente, conserva a beleza dos anos anteriores, os felizes, junto aos seus pais. Ele não sabe a realidade e não a enxerga como é inicialmente. Tiros seriam caçadores... Passei por angústia nessas partes! Como pode?!... 
"Talvez os coelhos resolvam aparecer na hora do pôr do sol. Ou talvez os caçadores estejam usando todas as balas para não terem que carregar muito peso na volta para casa. (...) olha, de repente o rio ficou vermelho. Que estranho, pois o sol ainda está amarelo. / A água está tão vermelha que parece sangue. Mesmo com todos aqueles tiros, os caçadores não poderiam ter matado tantos coelhos." - p. 43
Ele consegue chegar onde morava ainda na inocência. As ruas estão desconhecidas, vizinhos estão na sua casa... Gritos. Ele ainda não entende... Tem que voltar pois seus pais podem ter se desencontrado dele, indo buscá-lo no orfanato!...

Fogo.  Livros?  Não. 
Casa.  Tiros. 
Homem.  Mulher.  Galinhas...

Quando vê os primeiros corpos caídos não entende!... Encontra a Zelda caída, inconsciente, com galo na cabeça... Leva-a consigo.

A jornada dele agora tem adicional. 
"Você não sabe de nada, não é?"
E a jornada se alonda... Conhece pessoas, outras crianças, começa a juntar informações, não querer acreditar... O nazismo. O holocausto. O que ele fez para que tivessem raiva?!?...  Não gostavam de livros?...


A história despertou muito. Descrença com a inocência e, ao mesmo tempo, certa admiração pois o impulsionava a seguir: acreditar. Descrença ainda no quanto o ser humano já destruiu e pode ainda destruir por ignorância... Não saber ou buscar saber, apenas... seguir com o que lhe é dito sem pensar a respeito. Falta empatia. O oficial gostou da história do Felix, pediu que a escrevesse para que enviasse aos filhos mas... não o poupou por isso. Felix nada fez! Uma criança..!

Intolerância com o diferente. Crença cega... Houve quem sequer entendesse o que se passava. Infelizmente, foi real. Ocorreu. Quanta morte! Quanto sofrimento! Privações e desumanidade. A inocência dele o salvou. Momentos de realidade quase fizeram com que desistisse de tudo!... 

Admito que não conhecia este livro. Foi indicado para a categoria 1 do fundamental 2 e é uma ótima escolha. Temas apontados no site da editora: família, amigos e escola; Segunda Guerra e holocausto. 

Eu realmente recomendo o livro. 
Sorri, chorei... Envolvi-me! 
Envolva-se também, sinta! 

Um abraço,
Carolina.

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