Gritos no silêncio

(Detetive Kim Stone, 1)
Autora: Angela Marsons
Editora: Gutenberg
Ano de publicação: 2018
No. de páginas: 320

"Os segredos mais obscuros não podem ficar enterrados para sempre...Na escuridão da noite, cinco figuras se revezam para cavar uma sepultura, um pequeno buraco em que enterram os restos de uma vida inocente. Ninguém diz nada, e um pacto de sangue os une...Anos mais tarde, Teresa Wyatt é brutalmente assassinada na banheira da sua casa, e, depois disso, mais mortes violentas começam a acontecer. Todas as vítimas têm algo em comum, e a detetive que encabeça o caso, Kim Stone, logo percebe que a chave para deter o assassino que está semeando o pânico na cidade é resolver um crime do passado.Só o que ela sabe é que alguém esconde um segredo e está disposto a fazer qualquer coisa para que nada seja revelado." 

Nós podemos desenvolver, treinar nossas mentes... E, creio, a grande intuição, geralmente acertada, da detetive Kim Stone foi treinada ao longo do tempo e desde a infância, bem como suas memórias são guardadas por ela em caixas que, segundo ela própria almeja, devem permanecer fechadas.
"Kim sabia em primeira mão que a culpa do sobrevivente tinha o poder de moldar uma mente - e era por isso que rezava para que suas caixas jamais fossem abertas." - p.310
Ela conhece variáveis que quem nunca passou por circunstâncias nas quais elas se apresentem pode duvidar que existam. Id, ego e superego que a psicologia apresenta em sua forma mais básica se mostram um pouco com personagens que foram vítimas de abusos. Pessoas como a própria detetive, que cresceram em orfanatos e/ou reformatórios, indo e vindo de lares, moldados pela rejeição e perda.

O assassinato da Teresa Wyatt é o pontapé inicial. Investigando, descobre-se que ela se interessou por um pedido de escavação no terreno de Crestwood, feito pelo professor Milton, que espera encontrar moedas valiosas. E ela já trabalhou lá, anos antes... Dias depois, a morte de Tom Curtis, que também trabalhou em Crestwood. No terreno são encontradas ossadas, uma a uma... Pior, apresentando requintes de crueldade.

Mas mortes do presente e do passado não se assemelham, embora estejam, de alguma forma, ligadas - ligadas à aquele lugar.

Os curtos capítulos cambiam entre a investigação, um observador que demonstra ter distúrbios logo no início, e sobrevivente(s) do incêndio que resultou no fechamento decisivo do local. Acostumei-me com essa velocidade, como tomadas cinematográficas, ao ler Bryndza. Gosto dessa sensação de movimento. 

Kim sente uma ligação direta, um incômodo pessoal com o que ocorreu com aquelas garotas desafortunadas. Nada que tivessem feito merecia o que tiveram. Até onde pode ir a crueldade? E a psicopatia?... O que faz alguém pensar estar acima de tudo e todos, ser inatingível? 

Bom, este livro me foi indicado pela Neyla, do Coisas de Menina, aqui de Salvador, e foi tema do Clube do Livro Autêntica do mês de fevereiro deste ano. Segundo ela, eu tinha que ler! E compreendi o porquê.  :) 


Um abraço, 
Carolina. 

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