#MadalenaSemFiltro

Autor: Rodrigo Alvarez
Subtítulo: Memórias póstumas da apóstola de Jesus
Editora: LeYa
Ano de publicação: 2018
No. de páginas: 160
"Em #MadalenaSemFiltro o autor apresenta um texto atual em que Madalena, num tocante depoimento em primeira pessoa, revisita suas lutas, verbaliza suas ideias sobre os homens, detalha sua relação com Jesus, mostra-se indignada com as injustiças que sofreu e reflete sobre seu passado e seu presente – o século XXI, quando foi finalmente apontada como verdadeira apóstola daquele a quem todos chamam Cristo. Ela considera e avalia tudo o que foi dito a seu respeito ao longo dos séculos e rememora a importância que tiveram mulheres como a papisa Joana, Salomé e Maria da Penha, figuras femininas que, como Maria Madalena, tornaram-se ícones ao dizer “não” aos papeis impostos e pré-concebidos pelo mundo masculino. Baseada em fatos e documentos históricos (entre eles os evangelhos apócrifos da biblioteca de NagHammadi e o místico Pistis Sophia), #MadalenaSemFiltro é uma obra de alta qualidade literária concebida de maneira original por um escritor e pesquisador em pleno domínio de seus talentos."

Narrativas baseadas em pesquisas desse assunto sempre me interessaram. Sei que após o livro publicado em 2004 a promoção de outros, até mesmo alguns anteriores ao famoso, foi constante -  começaram a aparecer títulos com maior frequência. (Li A linhagem do Santo Graal, por exemplo, com estudos linguísticos etc.) Enfim, assim que vi que a editora LeYa lançaria este livro, anotei mentalmente.

O autor traz nas Notas as referências quando há trechos citados ou dados mencionados na narrativa. A premissa de a narradora ser a própria  Maria de Magdala é interessante (e começa com ela em uma procissão em seu nome), os questionamentos abordados são pertinentes - como o porquê da exclusão dela enquanto apóstola de Jesus, já que esteve sempre junto ao Mestre, que espalhava o amor e pregava a compaixão.
"Como eu gostaria que ouvissem minha voz! 
Tenho tanto a dizer! 
Fui silenciada pela força dos homens. 
Tratada como a última das últimas." - p.13

Reconstrução computadorizada a partir
 de crânio dito como sendo dela.
Ela fala da fama que deram a ela sem que fizesse por onde merecer, sobre discursos raivosos, excludentes... Uma construção de igreja masculina e problemas na época até mesmo com alguns dos apóstolos de Cristo, como Pedro, por exemplo, que não aceita que ela esteja sempre presente, com o Mestre, como uma deles e não apenas uma serva.
"E nós sabemos muito bem que cada um conta a história de acordo com as próprias lembranças, e principalmente de acordo com a própria maneira de ver e de interpretar o mundo." - p.33
Tantos argumentos fundamentados e a realidade que ainda se arrasta, apesar de já estar sendo levada em consideração. Ela, a personagem, cita pregadores passados e presentes, parabeniza Francisco, agradece Maurus... Tive, inclusive, vontade de ler tal discurso. Citações que corroboram para o fato de que:
"Convenhamos...
Machismo é pior que lombriga.
Quando se apodera do ser humano...
Haja purgante!" - p.107
Papéis. E, independente de homens ou mulheres, somos seres humanos, filhos Dele. E Jesus não distinguia, acolhia, ensinava, com toda a bondade de seu coração, por vezes lutando contra a impaciência gerada por certos comentários que eram opostos ao seu discurso para com seus seguidores.

Após as Notas, o livro nos traz algumas imagens de quadros pintados através dos séculos nomeados em sua homenagem, o busto feito, o suposto crânio e a reconstituição feita por computador. Uma leitura reflexiva, apesar de que eu, que já li outras coisas, demorei um pouco na leitura, não fluiu bem. Pode ser o meu momento. Rs. 

Um abraço,
Carolina.

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