Como eu era antes de você


Autora: Jojo Moyes
Original: Me before you
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2016
Número de páginas: 320

“Louisa Clark é uma jovem alegre e espontânea que se vê obrigada a repensar toda sua vida. Já Will Traynor sabe que o acidente com a motocicleta tirou dele a vontade de viver. O que Will não sabe é que a chegada de Lou vai trazer de volta a cor à sua vida. E nenhum deles desconfia de que esse encontro irá mudar para sempre a história dos dois.” (site da editora)

Demorei de pegar para ler. Porém, quando o fiz, perdi a noção do tempo! Como terminei em público, tive que “chorar com classe”, pousando o guardanapo nos olhos cheios, antes que as lágrimas caíssem, discretamente...

Assisti o filme, ri, chorei... no cinema. Mas é sempre diferente – uns mais que outros. Por vezes “amenizam”. Não tinha certeza de quanto me tocaria, do quanto eu entraria na estória.


 - - - - SPOILER ALERT! - - - -


Senti... raiva?... diversas vezes com falas e atitudes de pessoas ligadas a Louisa Clark, 26 anos. Dos pais dela, por exemplo, Bernard e Josie, por diminuírem, caçoarem do seu potencial ou capacidade, desmerecerem-na, rebaixarem-na... Ignorarem a inteligência da filha mais velha enquanto enalteciam a da mais nova, por vezes se referindo a Lu como uma incapaz ou...!
“Jesus Cristo – exclamou meu pai – Dá para imaginar? Como se já não fosse castigo suficiente ficar numa cadeira de rodas enferrujada, você ainda tem como acompanhante a nossa Lou.” - p.21
Em dado momento a própria Louisa nos conta que gostava de ler, mas ‘tornou-se algo da irmã’ e parou.
“Li mais um conto e pensei em quanto tempo não comprava um livro. Quando eu era criança, eu adorava ler, mas desde então só me lembrava de ter lido revistas. Treen era a leitora. Era quase como se, ao pegar um livro, eu estivesse invadindo o seu espaço.” – p.76

O uso de computador... O quartinho que ‘dá claustrofobia’ no qual ela dormiu por cinco anos, desde que o sobrinho nasceu... Prefiro não falar da irmã, que só ganhou algum ponto comigo no final do livro, quando lerem entenderão. O namorado de sete anos, Patrick – Pat?!?...
"Parecia que quanto mais ele ficava em forma, mais obcecado ficava pelo próprio corpo e menos interessado em mim.” – p.84
E, com tudo isso que passa, ela é simples, sorri, veste-se como quer, inventa... Ela é uma figura, como o próprio Will admite!  -  Cheia de vida
 

Will Traynor, 35 anos, entra na vida da Louisa repentinamente e logo se torna mais que um trabalho. E não falo apenas por ela ter se apaixonado por ele, o que, aliás, já diz bastante. Por mais que o humor oscile consoante as dores que enfrenta como consequência das lesões na C4 e C5 (tornou-se tetraplégico), a acidez... a ironia... impulsionam. Conversas, piadas sarcásticas, mas inteligentes. Sim, no aniversário da Lou ele ri dela junto ao pai, mas o “tom” é diferente. O intuito dele não é diminui-la, mas ironizar, estimular, rir... (Ela trouxe o sorriso de volta a vida dele!)


“(...) Por isso é que você me irrita, Clark. Vejo todo esse talento, toda essa... – deu de ombros. – Essa energia e inteligência e...
 – Não diga potencial...
 – ... potencial. Sim. Potencial. Não consigo entender como se contenta com essa vidinha (...)” – p.181
Quando ele aposta com o enfermeiro (e amigo) Nathan sobre o programa dela para uma noite de sexta-feira: tv ou livro, ele quer mostrar que ela pode fazer mais, o que quiser, bastando se arriscar! Ele a lembra de quem tem apenas 26 anos e que a vida...! (Um dia ela ela já se arriscou...)


Por mais que se diga que a irmã dela é a “cabeça”, os programas os quais pensa não são... Já a ‘Abelha atarefada’, em pesquisas, chats... Ela descobre mais que informações, mas que pode, ela mesma, encontra-las, analisa-las, descarta-las ou não. Adequação. Organização. Empenho. Ela pode ser o que quiser!


Um impulsiona o outro. Olham um ao outro. Lou se pega pensando o quão conectada está a ele, suas necessidades, interpretando o olhar, o movimento, durante o jantar de aniversário dela, enquanto lhe dava comida... O próprio namorado percebe (pois, ele não é o único biscoito do pacotinho! Kkkk!). Mas há um “prazo de validade” e, justamente por tudo, lembrando, almejando, sentindo...


Li a pouco alguém registrar em grupo de leitores que não leu ou assistiu (direito da pessoa!) porque o que disseram sobre fez com que achasse o Will egoísta. Pode parecer... Mas coloque-se no lugar dele. A própria Lou em dado momento confessa nunca ter percebido a extensão do esforço dele em não reclamar, mesmo quando a dor que sentia era excruciante!... Quem sou eu para julgar?

Repito: você decide se quer ler ou não, assistir ou não! – Mas faça-o por você, não pelo que falaram. 


 Um abraço,
Carolina.

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