(Lit. em minha casa, vol.4, Tea)
Editora: Bertrand Brasil
Publicado em 2005
No. de páginas: 80
Sempre há projetos para ler os livros que "aguardam nas prateleiras a mais tempo". Ok, muitas pessoas chamam de "encalhados", prefiro "passados para trás na longa fila" - já entenderam! Rs. Este ano fui inspirada pelas meninas da Minha Velha Estante, que dizem uma a outra qual ler dentre os antigos e resolvi pegar dentre os meus. Bom, iniciei janeiro com A bolsa amarela, premiado livro da Lygia Bojunga Nunes (ed.2002). Em fevereiro... este.
Muito já ouvi falar; adaptações foram feitas, ouvi. Já ler foi... Fiquei abismada com o padre e todo o seu preconceito, pedantismo, atitudes não condizentes com as que li em registros como as de Jesus. Calma, não foi apenas esta a personagem que me deu ojeriza! Bonitão para mim é uma pessoa mais que feia. É descrito como sendo frio, brutal, explorador... Na verdade a personagem narrador é bem analítica quando as personagens, o modo como descreve a Marli é até psicanalítico. Muitos estereótipos juntos, desde o cafetão ao dono estrangeiro de venda. E todos pensam em como tirar algum proveito da situação.
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Filme de 1988 |
Quando mencionei que todos tentam lucrar com o Zé e a sua história/situação, digo todos mesmo! Incluindo um jornal local, empresas que patrocinam uma tenda para que o Zé e sua esposa aguardem, "descansem" da jornada até resolver o caso... Tentam levar o caso para o lado político, já que o Zé doou parte das suas terrar para os necessitados como parte da promessa, dizendo que ele era a favor da reforma agrária. Zé tentando cumprir a promessa; sua esposa tentando "não voltar a pecar" com o tal Bonitão - porque, claro, já cedeu inicialmente...
Não darei mais pormenores do "processo", não registrarei o final da trama, mas mostra muito de até onde os seres que deveriam ser humanos fazem, onde vão e/ou estão dispostos a ir para "ficar com um pouco dos holofotes apontados para si". Zé chega à cidade "grande" feliz por poder cumprir uma promessa feita pela saúde do amigo e vai perdendo tudo... até fé na humanidade.
Demorei demais para ler.
Não me refiro ao mês de fevereiro, mas aos anos de leituras que tenho: deveria ter lido muito antes!
Merece. E eu realmente indico!
Um abraço,
Carolina
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