Bate-papo: sentimentos e reflexão

Liberdade conquistada através da dor... A dor da perda do pai; a dor da apatia depressiva da mãe; a dor de ver a irmã mais nova definhar... Dor no estômago devido a fome - dois dias bebendo apenas água fervida com folha velha de hortelã. Medo. Caso descoberta a situação em casa seriam levadas. Seria pior. 

Perguntas tu pela liberdade? Floresta. O dente-de-leão e a esperança. Apenas após o ocorrido: uma gentileza. Um gesto que o outro sabe que cobrará seu preço, mas ainda assim tomado. Olho roxo foi o resultado dos pães derrubados com o propósito de dar à garota sem forças, faminta, que habita o seu coração desde o primeiro dia da escola, anos atrás. Peeta.

Após a esperança, dois pães, o dente-de-leão... floresta. Frutas, raízes, caça... A liberdade de andar, buscar, suprir... a satisfação de dar de comer à irmã, a mãe, a si. Uma sobrevivente. Quando encontra generosidade, estranha. Mesmo quando vindo do garoto do pão.
"A ideia me deixa um pouco paralisada. Um Peeta Mellark gentil é muito mais perigoso para mim do que o contrário. Pessoas gentis conseguem se instalar dentro de mim e criar raízes. E não posso permitir que Peeta faça isso." - p.56
Ela já sente a dívida, nunca conseguiu agradecer. Apesar de desconfiar quando o viu com o hematoma no dia seguinte e saber que a mãe dele... Não entende o porquê dele ter feito algo daquele tipo por ela. Não está acostumada, deve ter sido coincidência. O peso de saber que só restará um, não pode se dar ao luxo de formar laços...

A bomba - afinal, "ela não faz ideia do efeito que causa": "... ela veio pra cá comigo." Na realidade, nunca pensou ou se permitiu sentir algo que não fosse o instinto de sobrevivência pela irmã, camaradagem na caça com o Gale, para prover à irmã. Sim, ela sente algo, há familiaridade, amizade com o Gale. Mas... 
"... aparentemente, também não fui assim tão desatenta com ele quanto imaginava. A farinha. A luta livre. Sempre mantive o garoto do pão em rédeas curtas.  - p.103
Lembro de discussão que tive certa vez sobre a Katniss: ela nunca teve tempo para mais nada. O foco dela é preciso, sempre foi... A única pessoa que ela tem certeza de amar é a irmã. É o amor que ela conhece. O terreno seguro. O único que se permitiu galgar. Sequer se deu conta que o observou em algum momento. 
"É uma sobrevivente."
Ele?... Sempre a amou!

O que era para ser visto como uma fraqueza na realidade dá força. O amor pela irmã a fez lutar, buscar alimento, seguir adiante, se voluntariar, cantar... proteger... E o dele por ela... 

"O amor tem feito coisas que até mesmo Deus duvida Já curou desenganados, já fechou tanta feridas..." - canção de Ivan Lins.

"É amor, e não vida, o contrário de morte." (Roberto Freire)  - E a Capital não se importa se você vive ou morre. O presidente Snow não se importa. Controle - é o que o move.


Releitura até a primeira parte do livro Jogos Vorazes. 

Pontos...

Amor e luta. Liberdade e dor. 
Força.


Um abraço,
Carolina.

2 comentários

  1. Eu amo essa relação da Katniss com o mundo e com as pessoas. Ela é formidável e o Peeta é, simplesmente, apaixonante.

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    1. Nem me fale!!...
      Já dei um puxão de orelha no Iago uma vez! Kkkk!

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