Amigos para a vida

Autor: Andrew Norris
Editora: Valentina
Ano de publicação: 2018
No. de páginas: 208


Que livro fofo, lindo, necessário! Queria tê-lo em todas as bibliotecas e salas de leitura do fundamental 2 pelo país!!!

Ele fala de amizade, mas de respeito, aceitação, necessidade de ajuda... Quis ler por pensar que seria fofo - e foi. Mas estrapolou, além do que eu poderia imaginar.
Sinopse: Francis não tem amigos. Ele sofre bullying porque é diferente. Em casa, vive trancado no sótão, onde tem uma fabulosa coleção de bonecas vestidas com roupas que ele mesmo cria. Adora moda e pediu de aniversário uma máquina de costura. Um certo dia na escola, na hora do intervalo, Francis vai se sentar num banco, no lado mais afastado do pátio, porque prefere a solidão a ser zoado. Mas nesse dia, sentindo-se triste, ele vê alguém atravessar o gramado na sua direção. É uma menina de mais ou menos a sua idade, embora não a reconheça como aluna da escola. Ela se senta na outra ponta do banco, em silêncio. Francis fica curioso. E então lhe estende a sua caneca de chá. A menina olha para ele, surpresa e chocada. Afinal, ela é um fantasma e Francis é a primeira pessoa que consegue vê-la desde que ela morreu...

Sim, Francis é diferente. Ele gosta de algo que o torna um tanto quanto peculiar, mas não é motivo para o bullying. Aliás, nada justifica o bullying. Ainda, podemos pensar que se trata disso a princípio, contudo, traz mais. E esse adicional vem apenas quando o terceiro amigo se junta ao grupo, elucidando como ocorreu a morte da Jéssica.

Certo, retornemos ao início. Francis está sozinho, desolado, sentado em um banco na Escola John Felton, quando ele vê a Jessica. Nada demais, correto?... Em escolas, vê-se adolescentes de todos os tipos, formas, gostos... Mas ele a vê e... bem, ninguém a vê há um ano. Sim, Jessica é um fantasma.

Mas, por que, depois de um ano sem que ninguém a veja ou ouça, ela fica visível e audível à ele?... Não falarei, claro. Rs. Apenas digo que o Francis foi o primeiro. Depois, a Andi. A garota que foi expulsa da antiga escola pelo seu comportamento agressivo. A mãe dele está preocupada com o seu jeito recluso e sem amigos, quando em casa apenas trancado no sótão (e, agora, "falando sozinho") e ao saber de uma mãe o receio pela entrada da filha (pensou ser filho) na escola, oferece que Francis a ciceronie na escola. O inusitado: Andi vê e ouve a Jessica.
Agora o Francis tem a mãe da amiga como a "fundadora do seu fã-clube" - ela fala para todos o milagre que ele operou com a sua filha... E o Roland acontece ao grupo, nova adição. Ele vê e ouve a Jessica...

Todos eles tem algo em comum entre si e com a fantasma amiga, que não lembra como morreu... Já disse até quando. Jessica traz alegria ao dia-a-dia do Francis, ajuda os amigos, diverte-se com eles... Mas tem algo a mais, ela precisa ajudar uma outra pessoa. E após essa ajuda, as coisas mudam.
"- Você não achou que nós três estávamos aqui para ajudar a Jéssica? - disse ele, olhando para Roland. - Pois me parece mais é que é ela que está aqui para nos ajudar." [56%] 
Jessica Fry conhece Francis Meredith, Andi Campion, Roland Boyle... e, então, Lorna Gilchrist (a mãe dela aparece brevemente no início do livro, quando o Francis está em uma loja, sentindo o tecido de um vestido). Para chegar a esta última, sozinha, sem a ajuda dos amigos, ela chega a recorrer à tia...
"... não quero que a Jéssica vá a lugar algum." [50%]
A temática é importante. O "bum" sobre bullying e consequências ocasionado pelo seriado da Netflix Os 13 porquês, baseado em livro homônimo, ajudou a falar sobre mas ainda não é o suficiente (e a adaptação, fora a segunda temporada...) - repito: não é "normal", não é "brincadeira"!... Cada pessoa é um mundo.
"... algumas pessoas sentem essas coisas com mais intensidade do que nós. São mais sensíveis. Mas creio que o verdadeiro dano é provocado quando se acrescenta algo. (...)" [90%]
Todos gostamos de ser valorizados, respeitados. Devemos respeitar. Precisamos olhar realmente para o outro, enquanto indivíduo único, singular, e não apenas "alguém que não eu"!

Convido a conhecer essas pessoas especiais, que contaram com amizade real, transformando, assim, suas vidas.


Um abraço,
Carolina.

Nenhum comentário