Tempestade de outono

Autora: Nana Valenttine
Editora: Freya
Publicado em 2020
N° de páginas: 334 

(Pode ser lido no kindle.)

E quem funga fechando o livro?!? Quem derramou lágrimas, inundada por sentimentos?... Arrebatada pela compreensão, por tanto amor?!

Dean, amado pelos pais, a quem sempre amou em retorno, de todo o coração, como a música que vem dele, dito pelo próprio pai: "música de coração". Sensível, tímido, calado... bem na dele. Um bom menino, que aos treze anos de idade presenciou a chegada de novas vizinhas: uma com o cabelo como raios de sol, outra, com cabelos escuros; uma com um sorriso acolhedor, outra séria e bem na dela: a "assassina gótica". Rs.

Quem diria que na prática os rastros deixados na sua vida seriam opostos?... Sim, ele chegou a ter a garota dos seus sonhos desde os treze anos, mas não foi como imaginava que seria - por mais que tenha tentado se adaptar ao mundo dela, negligenciando o dele. Já a Fiona... quem diria que se tornaria sua melhor amiga, que o entenderia até quando distante e calado, que seriam o ponto de apoio um do outro?!?...
"Eu não entendia o seu interesse súbito, justamente quando April e eu havíamos nos aproximado. Não havia nada entre nós, mas April sempre disse que a irmã era meio possessiva."
Até aí eu já me emocionava com detalhes que deixarei fora daqui para que se emocione também - ou não, rs - ao ler. Mas o que veio em um crescente e dominou depois..! 

Sim, ele perdeu o pai e o norte, ele já sentia que algo estava sendo... por dentro antes, mas não observava e o AVC do pai foi a gota d'água para o estado que ia avolumando dentro de si. Meses... Escuridão, isolamento, silêncio... E uma voz que o chamou, convocando a sair daquele lugar.

April, a "assassina gótica"? Sim, há uma história... (Que também não descreverei por aqui, apenas direi que não era irmã da Mary "não-Jane", perdeu a mãe criança e precisou ser afastada do pai, indo morar com a tia e sua família.) Porém um sabia quando o outro... através do olhar e palavras não ditas. Um não queria deixar o outro afundar. Para isso são os amigos, certo? 

Bagagens. Superações. Tentativas... contínuas... Quando Mary o quis? Como aconteceu? Qual a dinâmica? O que ocorre? Por que tais comportamentos?... Questões.
"Precisamos entender que não faz mal se sentir pra baixo em certos dias, mesmo que não haja um motivo. (...) Acontece. E passa. (...) Todos somos feitos de altos e baixos. O importante é saber quando se dar um tempo e quando seguir em frente." [139]

Muito se passa com nosso narrador-personagem Dean. Com as pessoas ao seu redor, com a sua melhor amiga April-Fiona... Mas eles se apoiam, respeitam seus espaços, querendo ou não - e passam pelas consequências de tal atitude. Tratam-se como conseguem adentrar o mundo um do outro, por vezes com determinação ou de forma ácida ou... Mas o apoio, o sentimento, a música... E vai uma dica:

"Uma pausa para observar algo importante agora. Falando sério. Quando uma pessoa estiver tendo uma crise, não diga para ela se acalmar, como se o que ela estivesse sentindo fosse um mero chilique. Não é engraçado, não é bonito e não é fisicamente bom. Ter uma crise é horrível, então seja empático com as pessoas que sofrem com isso. Fim da observação." [141] 

Já disse mas não acreditaram em mim... 
-> Acredite no Dean! Rs.



Um abraço 
silencioso,
Carolina.

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