Os 13 porquês

Autor: Jay Asher
Editora: Ática
Ano de publicação: 2009
Número de páginas: 256

"Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker - uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento."



Era para ser uma leitura rápida. A linguagem é acessível, a quantidade de páginas não é tanta... Fluiu enquanto em filas, ônibus... Li facilmente, mesmo com os três turnos de trabalho. Mas a melancolia do Clay, sua arraigada tristeza lembrando detalhes... Fita 5 – lado A
II
Chorei.
. . .

Necessidade de “aquietar” tudo o que suscitou...
Lembrei de muito com a leitura; foi como um “filme” na minha cabeça. As palavras “Não é nada, relaxa” muito me foram ditas quando assunto tratado não dava para, apenas, deixar para lá, fingir que nada foi dito ou ocorreu.

Tantas bolas de neve!... Tantas fagulhas ateadas em celeiros de mentes e corações. Muito internalizado... “Brincadeiras” sem graça alguma para os alvos. “Quem ‘bate’, esquece; mas quem apanha...”

Começou-se a falar demais nas mídias, teve o seriado adaptado na Netflix. Disseram-me que não assistisse, pois passava por fase sensível. Mas eis que aluna me diz algo e expressa a vontade de ler o livro. Esclareço: levo vários livros que compro para emprestar, estimular a leitura... Então, assisti primeiro (como geralmente faço) e li depois. 

Claro, mudaram coisas – sempre o fazem! Mas entendi Hanna. Perceba: disse que entendi – suas dores, angústias, sensibilidades e constrangimentos, etc. – Não disse que concordo com a atitude. Não compartilho do tipo de fuga ao qual ela se propôs. Havia outras possibilidades. No seriado, detestei ela ter jogado algum tipo de responsabilidade no Clay! O que, no livro, não faz. Ele está nas fitas porque ela quer que ele a entenda, saiba o porquê.

“... não conseguia acreditar que alguém pudesse ser tão gente fina assim.” 170

“Clay, querido, seu nome não pertence a esta lista. (...) Mas você precisa estar aqui, para eu contar minha história...” 171

Mas ela poderia ter conversado pessoalmente com ele... Entendo que quando estamos em certas situações e emocionalmente abalados não conseguimos nos expor, falar sobre, ou encontrar soluções. É como se nos sentíssemos encurralados. E, após confiar e “quebrar a cara”, como fazê-lo novamente?

A mente humana pode se transformar em um labirinto em que não encontramos saída. Ser sensível, ver além, sentir a mais, pode custar e hoje é descartado. Sociedade líquida, volúvel... As pessoas não param para realmente ver e notar umas as outras. Descartabilidade.

Sofri muito bullying. Em casa, inclusive. E quem faz nunca vê a importância, acha que o outro exagera... “O problema é você ser você.” E o outro, onde se encaixa? Pensemos. Busquemos um “brincar” mais saudável. Olhemos para o outro de verdade, com o 3º olhar descrito por Cavalcante, o da contemplação:

“... este é um olhar todo especial que, segundo São Boaventura, está além da comunhão com a grandeza da natureza: é o “ver além”.”
(CAVALCANTE. In: O que realmente importa? R.J.: Sextante, 2012. p.16.)

Um olhar o todo. Hoje as pessoas estão muito ligadas a aparências. Cabe a ressalva de que sempre teve isso, de certo! Mas com a absurda quantidade de câmeras... Acentuou. Face, Messenger, Instagram... Antes do que pensa ou sente ou... “manda uma foto aí!” Se sou eu? Se é verdade?... O importante é sorrir.

 Espero que não estejam escutando estas fitas salivando por alguma fofoca...” – p.171

Paremos de diminuir o outro, o que ele vê, pensa, sente, sonha, busca... Ouçamos outras fitas – de música! Coloquemo-nos no lugar do outro e aprendamos o respeito. 

Sheldon: E outra coisa que também não sabe sobre mim: você acabou de me magoar.
Penny: O que eu fiz?
Sheldon:  Eu me abri e te contei algo que me incomoda profundamente, e você tratou como se nada fosse.
Penny: Não achei que fosse importante.
Sheldon: Para mim, é. Esta é a questão.   
(The Big Bang Theory, 7ª temporada, episódio 1)
(Sabe de uma coisa, Sheldon, você está certo, me desculpe.)

Somos diferentes. Reagimos diferente. Mas somos parte de um todo. Ação e reação. Estímulo e resposta...

“Porque talvez pareça um papel pequeno agora, mas é importante. No fim, tudo tem importância.” – p.17

Reafirmo: Não sou a favor!!! Mas entendo os sentimentos da Hanna, seus pesares... Queria muito que ela tivesse se aberto, conversado, com o Clay. Acredito no coração dele.



 Um abraço,
Carolina.

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